sexta-feira, março 01, 2024

Ali

Vejo pela janela a chuva que se aproxima.

Sinto o devastar da sua força.

Tempos em tempos o desastre acontece.

E mesmo crescendo, não dá para evitar.

Por que muitas vezes não depende só de mim.

Vejo que a chuva é forte mas o seu frio ainda me faz sentir vivo.

Sinto cada gota que cai.

Sinto o poder dos fortes ventos.

Que me fazem sentir cada parte do meu corpo.

Não sei sinto uma calmaria, ou o fim.

Sentimentos distorcidos igual o borrão que as gotas deixam no vidro.

Quando tento ver é tudo borrado e sem sentido.

Vejo que quanto mais tento, menos vejo.

Mais me afundo nesse sentimento.

Que parece, me confortar.

Mas se quando paro para reparar na verdade está me engolindo.

Em um vazio inimaginável.

Sinto o vazio crescendo.

O tanto faz crescendo.

Onde na verdade não é que cresci.

Mas sim que fui consumido.

Consumido por um vazio.

Dominado pela tristeza e ódio.

Mas o que fazer?

Para onde ir?

Não vejo nada.

Não encontro um caminho.

Só posso sentir a tristeza a me consumir.

Um vazio.

Um nada.

O vazio é algo tão existente mas ao mesmo tempo invisível.

Que não importa para onde vou eu me afundo e desapareço mais e mais.

O Fim é logo ali.

Então será que vou chegar ali?

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